segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Diga não ao código do silêncio

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa que gosta de conversar, expor idéias e até mesmo ouvir longos desabafos. Deve ser meu lado psicólogo, aperfeiçoado pelos anos como professor. Por isso, venho aqui hoje inaugurar um manifesto contra o código do silêncio. Sim, ele está presente em nossas relações sociais, no nosso dia-a-dia, de forma sorrateira, preparado para eliminar toda e qualquer tentativa de comunicação entre os seres pensantes.

Analise essas situações e veja se você já percebeu a presença do terrível código.

1) Você entra no elevador do seu prédio ou local de trabalho e diz "bom dia". A pessoa que lá já está apenas sorri ou balança a cabeça. Pronto, ponto paro código do silêncio. Quem deseja bom dia quer ouvir um "bom dia!" em troca. E não custa nada, né?

2) Ao passar por alguém você cumprimenta com um "sonoro" aceno. Não! Diga "olá", "como vai, fulano?". Estabeleça contato. Não deixe o silêncio superar suas palavras.

3) Esta é a mais terrível manifestação do código do silêncio: a levantada no ônibus. A pessoa sentada à janela, ao ver seu ponto se aproximando, levanta-se. E a outra sentada do lado do corredor move as pernas com o intuito de dar passagem. Não faça isso! Espere uma comunicação mais inteligente. Não somos máquinas (ainda). Que tal dizer: "com licença". E como resposta: "claro!". Pronto. Assim os dois indivíduos terão vencido o terrível código do silêncio. E quem sabe não rola até uma cantada no meio, tirando você do marasmo sentimental que atormenta a qualquer um, heim?

Na verdade, este texto é só para você se lembrar que a palavra foi feita para ser usada. Use e abuse dos "dá licença", "obrigado" e principalmente, do "por favor". A tal palavrinha mágica que opera milagres. Lembre-se do profeta: "gentileza gera gentileza".

Diga não ao código do silêncio.

:-) blá , blá blaá , blá........

domingo, 28 de outubro de 2007

Queria conhecer esse cara

Li este post no blog do Oswaldo Montenegro (http://bloglog.globo.com/oswaldomontenegro), artista que admiro há muito tempo (por que será que sempre que digo "há muito tempo" me sinto mais velho?) e tomei a liberdade de reproduzí-lo aqui. Poderíamos todos tomar as palavras do Oswaldo como uma nova filosofia e seríamos mais felizes. O que acham?

Liguei a televisão. “A Vida é Bela” – esse era o nome do filme. É mesmo. Não só é mesmo o nome do filme como é mesmo bela, a vida. O filme é bom e meio piegas. Eu também. Um bom sujeito e às vezes meio piegas.
O que importa é: a vida é bela.
Dói. Às vezes dói. Até saber que dura pouco, dói.
Mas presta atenção, colega, tem quadros de Van Gogh, sorvete de flocos, papos de madrugada com amigos. E isso é inegável.
Ok, você se lembra do garoto com fome na rua, se lembra que ainda existe luta religiosa, se lembra que a amiga a quem você deu atenção confundiu as coisas e te chamou de “galinha”, se lembra que fazem fofoca sobre você, se lembra da distensão muscular no melhor momento da pelada. Mas é bela. A vida é bela. Encontros de afeto real justificam esse planetinha bonito.
Ok, colega, dói porque a esquerda não nos salvou ao chegar ao poder (nem existe mais esquerda). Dói porque a psicanálise prometeu, mas não nos fez felizes para sempre. E os hippies viraram mendigos ou burocratas.
Mas a vida, colega, tem Domingos de Oliveira. E ele também acha a vida bela. E Domingos não mente. Imagine um cara que além de ser o maior pensador do Brasil, tem no primeiro nome um domingo no plural, numa espécie de multiplicação do feriado. Segundo ele, reclamar da vida é o oitavo pecado capital. Portanto, não vamos ficar resmungando. A vida é bela.
O tempo passa, o tempo estraga, o tempo mata, a vida volta, a vida recompõe, a vida renasce.
Você não gosta do programa da tv. Aí está ao seu lado o controlo remoto, supremo representante da sua democracia. O verdadeiro poder do povo é o controle remoto.
Ok, os nazistas cristãos odeiam os judeus e Cristo era judeu e não odiava ninguém. Paradoxo dói. A gente não confia no político que está aí para nos representar. E tem medo da polícia que está aí para nos proteger. Mas tem o corpo da mulher amada, o bandolim de Hamilton de Hollanda e milk-shake de Ovomaltine. E é interessante. O tal do ser humano é interessante. Sempre procurando o amor definitivo e a tal da segurança. Logo ele, capaz de morrer no próximo minuto, sujeito à primeira ventania, e sem a menor chance diante do menor maremoto. A segurança, colega, não existe. A gente inventou. E isso dói.
E lá no meio da dor tem uma tal de esperança. E como a flor que nasceu no asfalto, do Drummond, ela vive ali, sobrevivendo a caminhões e atropelamentos. Ok, colega, eu sei que dói. Mas tem a hora em que teu filho dá uma gargalhada e é feliz. Aí a gente se lembra dele em cima do nosso ombro e olhando espantado para o mundo. Naquele dia a gente disse pra ele (e pra filho não se mente): a vida é bela.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Pobre menina rica


Que o SBT - Sistema Brasileiro de Televisão - nunca teve qualquer compromisso com a continuidade de suas atrações, isso é fato mais que conhecido. Por inúmeras vezes, já ouvi amigos reclamando que perderam o final de uma série porque simplesmente interromperam a sua exibição ou trocaram o horário sem o menor respeito com os telespectadores. A bola da vez agora é o Charme, atualmente exibido às 16h e apresentado por Adriane Galisteu. Provavelmente esse é o programa que mais sofreu sob a batuta do homem do baú. A verdade é que Galisteu não consegue ter um estilo para seu programa (que já foi exibido em todos os horários possíveis e imagináveis), porque a linha editorial muda o tempo todo. A mídia já divulgou a insatisfação de Adriane com o SBT e me parece que a loura tem razão em reclamar.

Há pouco tempo atrás, o Charme estava redondinho. Convidados interessantes davam a Adriane a possibilidade de fazer perguntas inteligentes. O bike-repórter compunha bem o programa, trazendo matérias de externa. Enfim, o show era disparado o melhor da sofrível programação vespertina, sem nenhuma concorrência das outras emissoras com seus apresentadores que, ou lêem notícias de revistas e jornais ou vendem aqueles produtos terríveis que invadem nossas casas sem que peçamos. Ah, o programa ainda tinha o auxílio luxuoso de Renata Boldrini, falando dos lançamentos do cinema e, às vezes, com entrevistas direto de Hollywood.


O que mais irrita nesse programa camaleônico é que Galisteu tem jeito pra coisa, mas é mal aproveitada. Além de bela, ela é inteligente, sabe colocar bem as perguntas, é naturalmente gentil e simpática com seus convidados e até seus infomerciais são apresentados de uma maneira mais inovadora. Com tantas qualidades assim, Galisteu não precisa ser super pop para aparecer. Mas aí vem a pergunta: havia como o Charme ficar chato com tudo isso?
Sim, havia.

Atualmente, o programa é um game show, uma gincana sem informação. Adriane faz de tudo para parecer feliz com o que faz, mas é difícil acompanhar a atração. Há um revival do falecido "Namoro na TV", com participantes que não sabem nem ler um outdoor, e um outro jogo de perguntas e respostas com convidados "famosos" para os padrões SBTistas, valendo dinheiro, que é mais deprimente que acordar e ver o Calheiros ainda no Senado.


Espero que ao fim do contrato com o eterno líder do segundo lugar, Adriane repense suas posições e assine com um canal que a dê respeito profissional e liberdade editorial para trazer mais que charme ao seu programa.

Foto: Adriane se esforça e tem charme, mas no SBT não dá.
Fonte: Site - O Fuxico (Divulgação/SBT)

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

M................TV

Pensei em escrever um texto sobre os dezessete anos da Music Television Brasileira, completados no último dia 20. Mas, resolvi que vou esperar pela maioridade da emissora que me deixou mais de 20 horas ligado, no dia de seu lançamento. Até porque, a data será mais emblemática.
Parabéns MTV, ou como dizem Caetano e Lobão: EME TE VE!
Por enquanto, um pedido: que tal mais MÚSICA e menos TV?

:-(

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

CPMF, DEM e Demos

Nunca fui a favor da CPMF. Acho o roubo oficializado da minha conta bancária o máximo do abuso. Protesto e sempre protestarei contra esse imposto, que de provisório não tem mais nada. Porém, serei sempre a favor da coerência. E não vejo o porquê do Democratas - antigo PFL...argh!!! - em barrar a votação do imposto sobre o cheque (ou sobre qualquer ventinho que bater sobre nossas contas correntes).

A CPMF foi criada no governo Fernando Henrique Cardoso e apoiada pelo então PFL para supostamente melhorar a qualidade dos hospitais brasileiros. Na época, achei justo e interessante. Mas, o final desse filme todo mundo viu e vê até hoje.

Agora, o presidente Lula - que recentemente esteve na República do Congo... alguém viu a banda do governo congolês assassinando o hino nacional brasileiro? Caso de incidente diplomático! - quer aprovar a prorrogação do ideologicamente finado imposto, mas encontra resistência justamente naqueles que apoiaram sua criação, ou seja, uma briguinha ridícula. Coisa de criancinha mimada. Cada um querendo puxar a CPMF pro seu lado. O DEM ou Demos, como disse nosso ilustre presidente, acha que impedir a votação do imposto é "lutar pelo povo brasileiro", palavras do líder do partido José Agripino Maia (RN).


Como já disse, não sou a favor da CPMF, mas pelo menos, trata-se de um imposto limpo, não-sonegável, ou mais difícil de sonegar, e que agora é utilizado para custear, segundo o Governo, o Bolsa Miséria...oops...Bolsa Família.

Bons tempos eram aqueles em que os políticos direitistas ou de esquerda, apesar de reacionários e corruptos, eram fiéis às suas crenças. Nem isso podemos dizer que existe mais.