segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Isso é punição?

Nos últimos anos, o concurso para garis da Comlurb - Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro -, se tornou uma concorrida disputa no já sofrido mercado de trabalho brasileiro. Os contratados, após enfrentar longas filas para inscrição, fizeram provas para conseguir suas vagas e, pelo que me lembro, ninguém conseguiu o emprego, cometendo crimes contra o patrimônio público, fazendo inexplicáveis badernas pelas ruas da cidade.

Mas, aos olhos de alguns juízes e psicólogos, ajudar na coleta de lixo, limpar pichações em muros e postes da cidade por um ano é uma boa opção de pena alternativa. Rechaço veementemente esta forma de pensar do Juizado Especial Criminal da Barra, que decretou esta sentença a Fernando Mattos Roiz Junior (19), e Luciano Filgueiras da Silva Monteiro (21), acusados de atacar prostitutas na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, com fumaça de extintor de incêndio

Penso que deveriam haver penas um pouco mais severas para estes tipos de crime. Esta determinação do Juizado além de desvalorizar o trabalho dos garis, que conseguiram seu emprego de forma lícita, não torna os vândalos pessoas mais conscientes e respeitadoras.

Será que esses, entre outros baderneiros, rebeldes sem causa, de classe média, após um ano, lembrarão o quanto é importante preservar o patrimônio de qualquer cidade? Infelizmente, eu acho que não. E você?

terça-feira, 13 de novembro de 2007

"Hermanos" aterrorizam número um

O tenista suíço, Roger Federer, atual número um da Associação dos Tenistas Profissionais - ATP - começou mal na Copa do Mundo, realizada em Shangai, na China. Federer perdeu para o chileno, Fernando Gonzalez, parciais de 3-6, 7-6, 7-5.

Essa não foi a primeira vez que Federer perdeu para um sul-americano. A lista de "hermanos" acostumados a vencer o suíço só faz crescer. Recentemente, Federer perdeu duas vezes consecutivas para o argentino David Nalbandian pelos Masters de Madrid (2 a 1), e de Paris (2 a 0). Com as vitórias, Nalbandian empatou o confronto geral com Federer em 8 a 8.

Outro "hermano" que tira o sono do número um é o argentino, Guillermo Cañas. Cañas já bateu Federer por três vezes, contra duas do suíço. E olha que na última deu Federer (2 a 0), no Masters de Madrid.

Quem também gosta de desbancar Roger Federer é o nosso Guga. Mesmo afastado das primeiras colocações, Gustavo Kuerten - atual 676 do ranking da ATP e 207 da Corrida dos Campeões -, vence o confronto geral com Federer por 2 a 1.

Contra o número dois do mundo, o espanhol Rafael Nadal, o suíço perde por 8 a 5. No último confronto, este ano, na final em Wimbledon, Federer levou a melhor (3 sets a 2).

Agora, se o adversário for americano, Federer passeia. Contra Andy Roddick, atual número cinco do ranking, já foram 14 triunfos do suíço contra apenas uma vitória de Roddick. Andre Agassi, que já se aposentou, sofreu com Federer. Ganhou três, mas perdeu oito. Outro americano, o número 13 do mundo, James Blake, ainda não venceu o suíço. Blake perdeu as sete partidas que jogou contra Federer.

Pelo visto, os ares do norte fazem bem ao número um; já os do sul...


Foto - fonte: www.linternaute.com
Arte sobre a foto: Fábio Carvalho

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Venezuelistão ou Paquistãoela?

Não você não está entendendo errado. Os dois países - Venezuela e Paquistão - do que jeito que estão sendo governados poderiam formar um híbrido e serem rebatizados.

Não sei se as idéias de Hugo Chávez estão chegando ao país governado por Pervez Musharraf, mas o estado de excessão do governo paquistanês, mandando sua constituição às favas, demonstra claramente que, em pleno século 21, ninguém está livre de um golpe de estado, seja na América do Sul ou na Ásia.

Chávez prepara a Venezuela para uma revolução???, que ele chama de limpeza nacional. Na verdade, o que ele quer é ser absoluto em um país que até pouco tempo praticamente não existia no cenário internacional. Musharraf prometeu, após o golpe militar que o empossou, se transformar em civil e promover uma transição pacífica em seu país. Difícil acreditar que prendendo cerca de 500 pessoas, entre elas advogados e juízes, ele esteja no caminho certo.

É bom o Brasil abrir o olho com Chávez. A Venezuela abriu negociações para a compra de armas mais modernas e quando um louco está no poder, tudo é possível.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Quem vê futebol, não vê violência


Começo hoje com uma mea culpa. O "meemblogando" não é um blog de um assunto só, mas sei que é recorrente o tópico futebol aqui. Acho que isso se deve ao fato da minha irrestrita admiração pelo esporte bretão e pela forma como o vejo e relaciono à vida de todos nós.

Já reparou como várias expressões futebolíticas são usadas até mesmo por pessoas que dizem odiar futebol? "Pô, embolou o meio de campo", "me jogaram pra escanteio", "chegou aos 45 do segundo tempo", "te deixei na cara do gol", "tô na área - se derrubar é pênalti", entre outras são comumente ouvidas em nosso dia-a-dia. Então, não tenho um pouquinho de razão? rsrsrs....

Esse post foi motivado pela matéria do Esporte Espetacular, da Rede Globo, exibido no domingo (4), que levantou a polêmica da comemoração de gols com gestos que simulam alguém atirando. Alan Kardec, do Vasco; Souza, do Flamengo, já foram vistos fazendo tais gestos. O programa perguntou aos jogadores o que eles achavam disso tudo. Alguns se mostravam a favor, outros contra e a maioria ficou em cima do muro, como vários boleiros costumam fazer. Mas, será que não estamos fazendo uma tempestade em copo d'água?

Entre os adjetivos usados para descrever um atacante que faz muitos gols estão matador e artilheiro - que vem de artilharia, um termo que faz alusão ao militarismo. Daí, os jogadores se mostrarem como matadores. Claro que vivemos em tempos de violência exacerbada e tais gestos poderiam influenciar o comportamento dos jovens mal orientados, mas ninguém vai comprar uma arma ou virar bandido porque viu o fulano na televisão ou no estádio, dando tiros imaginários, não é?

O time inglês, Arsenal, é conhecido como "gunners" (algo como os que têm as armas) e não promove a violência com isso. O cracaço de bola, Roberto Rivelino, campeão mundial pelo Brasil, em 70, ficou conhecido como a "patada atômica". Alguém já viu o Riva ser ameaçado pelo Greenpeace?

Acho a polêmica interessante, mas não vejo esses gestos com olhos preocupados. Penso que outras formas de comemoração poderiam ser evitadas. Por exemplo: tirar a camisa do clube depois de fazer um gol. No mundo profissional de hoje, patrocínio é fundamental. Ao fazer um gol, o jogador vira o centro das atenções de todos no estádio e nas câmeras. Aí ele "aproveita" sua alegria para omitir o nome da empresa que, muitas vezes, paga o seu salário. Aí, não dá! Jogadores chutando placas publicitárias, também não é legal. Alegria não tem haver com depredação. Que o digam os incautos que saíram destruindo tudo que viam aqui no Rio e viram o sol nascer quadrado. Bem feito.

Espero que o futebol continue a ser motivo de polêmicas, sim, mas que as mesmas tenham mais fundamento no futuro.

Foto: o atacante Souza, do Flamengo, simula ser um "matador". Será que ele realmente quer promover a violência?
Fonte:
www.diariodecuiaba.com.br

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

E agora, Brasil?

Há 105 anos, nascia um dos maiores poetas do século passado, Carlos Drummond de Andrade; autor de obras como "Brejo das Almas" (1934), "Discurso de Primavera" (1977) e "Corpo" (1984). Se você ainda não leu um verso de Drummond, pare tudo o que estiver fazendo agora e corra para a livraria mais próxima.

Em um de seus poemas mais famosos, o poeta mineiro pergunta: "E agora, José?". Aproveito essa pequena homenagem do "meemblogando" ao escritor, para parafrasear Drummond e demonstrar minha preocupação com o novo momento do nosso país, recém-eleito como sede da Copa do Mundo de 2014. E agora, Brasil?

Teremos no máximo pouco mais de seis anos para organizar um evento que contará com a participação direta e indireta de mais de um bilhão de pessoas. Recentes notícias sobre a organização do Pan2007, realizado apenas na cidade do Rio, apontam falhas e acusações de improbidade e trazem uma interrogação à minha cabeça: será que o Brasil, país continental e pluripartidário, vai realmente se preparar, fiscalizar os contratos licitatórios com lisura, cumprir as metas estabelecidas, melhorar seu sistema de transportes, aumentar sua rede hoteleira, garantir a organização no entorno dos estádios, facilitar a compra de ingressos, respeitar o torcedor estrangeiro - e principalmente o do nosso país -, enfim, mostrar ao mundo que podemos fazer uma copa nos padrões que a Fifa deseja?

Torço pra que isso aconteça. Afinal, sou brasileiro, amante do futebol e das copas do mundo. E no embalo do campeonato mundial, ainda poderemos sediar os Jogos Olímpicos de 2016! Aí, ficaríamos "chatos", mesmo. Não acham?

Mas, antes de cair da cama e acordar, precisamos ter consciência do que nossos governantes farão até 2014. Tudo para que o sonho não vire pesadelo. Torça, mas fiscalize.

A gafe do Presidente memória-curta

Nosso ilustre presidente, Luis Inácio Lula da Silva, além de dar uma gafe totalmente desnecessária, dizendo que o Brasil fará uma copa "pra argentino nenhum botar defeito", completou o "show", lembrando o mundial do México 1986, de maneira equivocada.

Durante seu discurso na seda da Fifa, em Zurique, Lula disse ao ex-craque francês, Michel Platini - presente a cerimônia que deu ao Brasil o direito de sediar a copa de 2014 - que chorou quando ele, Platini, marcou um gol de pênalti e tirou o Brasil daquela copa. Correção: Platini marcou o gol de empate da França, em um cruzamento vindo da direita. Este gol forçou o jogo a ser decidido em disputa de pênaltis. Antes da cobrança, o craque beijou a bola e a mandou longe da meta do goleiro brasileiro, Carlos. Mas, não adiantou, pois os brasileiros foram eliminados.

Voltando ao talento do poeta

Para quem ainda não conhece, segue o poema "José", de Carlos Drummond de Andrade.

E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, Você?

Você que é sem nome,

que zomba dos outros,

Você que faz versos,

que ama, proptesta?

e agora, José?



Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?



E agora, José?

sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio, - e agora?



Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?



Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse,

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você consasse,

se você morresse....

Mas você não morre,

você é duro, José!



Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja do galope,

você marcha, José!

José, para onde?