segunda-feira, 2 de março de 2009

Fraternidade, sim. Violência, não! / The Church in Brazil and the fight against violence

A nova Campanha da Fraternidade - promovida anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB - chama a atenção em 2009 para um tema que até então a Igreja no Brasil sempre se mostrou relutante em discutir: segurança pública. Acho isso tudo ótimo. Afinal, a Igreja, que muitas vezes parece passar à margem do que acontece na Terra Brasilis, se mostra mais participativa e interessada em ajudar a resolver uma das mais primordiais questões do nosso País.

O problema é que uma instituição, que mostra ojeriza à opção pela homossexualidade e ainda proíbe o uso da camisinha, não percebe que está cometendo uma violência talvez ainda maior. Na medida em que mais e mais pessoas sem condições mínimas de sobrevivência fazem mais filhos, é claro que não haverá oportunidades iguais para todos, mesmo que a Globo faça um Criança Esperança por mês. 

Os efeitos das determinações eclesiásticas são tão devastadores que se refletem em todas as faixas etárias da sociedade. A recente campanha pelo uso de preservativos no carnaval foi mais voltada para as mulheres com 50 anos ou mais. Segundo o Ministério da Saúde, nos últimos dez anos, foram as  mulheres nessa faixa etária as que mais contraíram o HIV dos próprios maridos, que obviamente não usam camisinhas com suas esposas, após "brincarem" com outros parceiros por aí. Essas mesmas esposas, por suas vez, também nem imaginam usar preservativos já que - na sua grande maioria, muito religiosas - seguem à risca as regras ditadas pelo Vaticano.

O lema da Campanha da Fraternidade 2009 é "A paz é fruto da justiça". Se isso é verdade, pergunto: não é justo que todas as pessoas tenham direito à liberdade sexual? Não é justo que todos tenham direito ao sexo com segurança? Não é justo que mais pessoas tenham mais acesso à educação básica, uma vez controlado o crescimento vegetativo nesse país?

O texto da campanha também ressalta o problema vivido nos presídios brasileiros. "O sistema prisional brasileiro visa especialmente aos que praticaram crimes comuns. As pessoas que praticam crimes contra a ética, a economia e as gestões públicas, como os do “colarinho branco”, ao responderem aos processos, recorrem reiteradamente às diversas instâncias do sistema judiciário, alegam publicamente inocência – nunca provada – e, muitas vezes, até conseguem a aprovação da opinião pública, que se expressa pelo ditado popular: “esse rouba, mas faz!”, diz um trecho do texto oficial. Nesse ponto, concordo com a CNBB. O código penal brasileiro precisa de mudanças urgentes.

Outro ponto que acho deve ser mais amplamente discutido é a maioridade penal. O mundo de hoje é outro. As crianças aos 16 anos de idade têm uma outra visão das coisas e seu entendimento do que causa o mal é muito maior. Pequenos criminosos não são mais tão inocentes como há anos atrás. A CNBB ainda adota a posição retrógrada e nem admite que a maioridade penal seja colocada em questão. Não seria esse também um caso de violência contra a sociedade, vide os casos Suzane von Richthofen e Champinha?

Reitero que acho importante o envolvimento da Igreja e de todos os setores da sociedade na tentativa de se encontrar uma solução para o problema da violência no Brasil. Mas, não posso deixar de protestar contra as ideias de quem há muitos séculos tem telhado de vidro.

The Brotherhood campaign 2009, promoted by the Brazilian Bishops National Confederation, calls attention to a subject that until then the Church in Brazil was afraid to discuss: public security. I think it's all worthwhile. After all, the Brazilian Church, which often seems to be apart from what happens in Brazil, has become more participative and interested in helping solve one of the primary issues in the country.

The problem is that an institution that still prohibits the use of condoms and feels disgusted to see that homosexuality has become part of our lives nowadays, cannot realize that they are being even more violent, acting the way they do. As more and more people, who many times can't even provide their children with the most basic living conditions, it's clear that there will not be equal opportunities for everyone.

Still on the issue of condoms, the recent carnival ampaign was more geared towards women at their 50', who for the last ten years have been more infected by the HIV from their own husbands, that obviously do not use condoms with their wives after "playing" with other partners outside their homes. These wives, for their part, also do not think about using a condom. Since most of them are very religious, they follow to the rules dictated by the Vatican, without questioning a bit.

The motto of the Brotherhood Campaign 2009 is "peace to achieve justice." If this is true, I wonder: isn't it fair that all people have the right to sexual freedom? Isn't it fair that everyone has the right to safe sex? Isn't it fair that more people have more access to basic education, in order to control the birth rate in Brazil?

I repeat I find it very nice to know that that the Church and all sectors of society must discuss the violence issue in an attempt to find a solution to the problem. But, I must protest against the ideas of some who only attack other sectors and forget they have gone down the same road in other times.

BlogBlogs.Com.Br

3 comentários:

  1. Cara,gostei muito, principalmente o fato de você postar tanto em português quanto em Inglês.
    Show de bola isso.
    Tá indo muito bem rapaz. Continue assim.
    Valeu.
    P.s. - Já o seu cabelinho....hehehehe.
    Ricardo Wagner

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  2. Infelizmente teremos sempre coisas na Igreja que merecem ser criticadas, e o pior é que não apenas pelas decisões tomadas por ela no passado.

    Guilherme Costa

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  3. Adorei muito,precisamos criticar para ver se melhora algo,o que é muito dificil.

    Isabella Xavier

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